18 de jan de 2017

F1 2017: A luta contra a lata - ou - A falência do café

Massa e Bottas completaram um movimento de cadeiras da F1 iniciado com a ida de Nico Rosberg para o negócio de venda de ovos e leite de produção orgânica.
Com as vagas fechadas na Williams e na Mercedes sobraram apenas dois acentos na F1 2017 e creia...  Não são lá estas coisas...
Sabe quando você vai ver um espetáculo sold out e a única poltrona disponível é atrás de um pilar ou na lateral extrema do palco, de onde você só vê as coisas direito se esticar e entortar o pescoço?
Então...  Assim são os cockpit da Manor.
São bons para ver a corrida, afinal, estão dentro da pista e de tempos em tempos o líder da prova passa por eles. Bem rápido, mas os pilotos conseguem ver assim mesmo.
Já para disputar... São facas de dois gumes.
Se o cara conseguir ir bem, andar legal na corrida e – se der muita sorte – marcar uns pontos, pode cavar um contrato com algo melhor num futuro (ou não), porém, se ficar andando lá no fundão, fazendo número, a frigideira é certa.
E é para lá que Felipe Nasr pode rumar...

Mas para estar no grid neste ano a Manor enfrenta uma velha inimiga bem conhecida: quase intima eu diria: a falência.
Tirando o ano em que Richard Branson vendeu sua então Virgin Racing para investidores russos e o time passou a se chamar Marussia, o restante do tempo sempre foi de incerteza e prejuízo, com a equipe chegando ao fim das temporadas sem saber se alinhariam no grid na temporada seguinte.
Até um leilão em 2015 chegou a ser marcado para vender os carros e equipamentos do time, mas foi cancelado pelo aparecimento de investidores que, em 2016 resolveram chamar o time de Manor Racing e mantê-lo nas pistas a duras penas para tentar reaver o investimento.
A coisa parece não ter dado tão certo, já que de novo está na mesma situação dependendo do aparecimento de novos investidores para seguir viva.
As últimas notícias dão conta de que há gente interessada, mas o time precisa resolver tudo até o fim de janeiro para poder alinhar de forma minimamente decente na Austrália.

É certo que uma equipe a menos em um grid já tão magro faria muita falta, mas até que ponto é bom para a categoria ter uma equipe que só feche o grid sempre e sem brilhos maiores que largar mais à frente quando alguém é punido?
Uma equipe que – felizmente – nem tradicional é.
Pior, corre o risco de ao fim da temporada estar de novo com o chapéu nas mãos mendigando novos investimentos.
Vendo a situação da equipe dá para notar claramente o quanto um teto de investimentos e uma melhor distribuição do dinheiro da FOM/FIA/Liberty Media ou quem quer que seja entre as equipes se faz necessário.
E rápido, bem rápido, mais rápido que um F1.
Muito mais rápido que uma Manor.

17 de jan de 2017

F1 2017: Substitute

E o substituto do campeão foi escolhido.
Valteri Bottas vai ter a (in)grata missão de pilotar um dos carros mais desejados do grid nos últimos anos.
É certo que não se sabe se a supremacia vai continuar firme e forte como tem sido, mas apostar que ao menos será um dos carros protagonistas do ano não seria loucura.
Mas quem é o que esperar de Valteri Bottas e o porquê da Mercedes ter apostado nele?

O cara é finlandês. Portanto conterrâneo de Mika Hakkinen, Kimi Raikkonen e Heikki Kovalainen, mas por nunca ter vencido uma corrida na F1 não é possível dizer se também não deixa cair uma só gota do champanhe. O terceiro lugar é legal, mas não se compara a loucura de ganhar a corrida. Bebe-se bem mais no lugar mais alto do pódio.
Antes de chegar à F1, correu na GP3 séries e foi campeão pela Art Lotus.
Antes ainda, atuou em Charlie and the chocolate factory no papel de Augustus Gloop.

Em 2017 vai ser o companheiro de equipe do tetracampeão mundial Lewis Hamilton, aí está a dor e a delícia de ser piloto da Mercedes.
Se ao fim da temporada estiver à frente na classificação, terá se imposto com um piloto de ponta, se estiver atrás...
E Lewis é jogo duro, seja no braço, seja no jogo mental.
Sua briga com Nico foi tão intensa e tão ferrenha, que assim que ganhou um round, Nico pulou fora da categoria dizendo que: “...a vida é muito curta para ter que passar por tudo isto.’
Bottas não foi testado neste nível ainda.
Na F1 pilotou ao lado de Felipe Massa, que é bom piloto, mas é leal nas brigas. E sendo bem sincero, não lhe fez muita frente. E de Pastor Maldonado, que.... Que... Nada. Nada sobre Pastor Maldonado.
Nesta temporada corre sério risco de ser subjugado por Hamilton e acabar como a maioria aposta: um segundo piloto de luxo.
Um bom indício foi dado pela BBC quando informou – não oficialmente – que a duração de seu contrato é de um ano somente.
Mas este é um ano de incógnitas, logo, Valteri Bottas na Mercedes também é uma que só o decorrer do campeonato vai solucionar.
Particularmente, penso que é apenas um piloto limitado, nem tão bom e nem tão ruim, mas que com um carro de ponta, é sério candidato a vitórias.
Exatamente como a Mercedes gosta.

16 de jan de 2017

F1 2017: A volta de Massa

 A Williams deu a senha: a ida de Valteri Bottas para a Mercedes é iminente.
Se é assim, a volta de Felipe Massa para a F1 é certa.
Num esforço de pesquisa, o blog foi verificar como era o mundo na última vez em que o piloto brasileiro sentou num F1.

Foi no GP de Abu Dhabi no já distante ano de 2016.
GP este que foi vencido por Lewis Hamilton, mas que não foi suficiente para lhe dar o título daquele ano.
Com o segundo lugar, Nico Rosberg foi o grande campeão e alguns dias depois anunciou sua aposentadoria.
Jenson Button também havia anunciado sua aposentadoria, mas ninguém estava nem aí...
Alonso aínda tinha apenas dois títulos.

No Brasil, o Palmeiras corrida a passos largos para garantir o título do campeonato brasileiro de futebol.
Fora dos campos seguia a polêmica do título mundial de 1951, que o time garante ter recebido um fax da Fifa dizendo que é real.
O presidente da república era (infelizmente) Michel Temer, que volta e meia anunciava alguma coisa para logo voltar atrás. Ele havia pego a presidência em substituição a Dilma Rousseff que foi (felizmente) limada do cargo por ser incompetente, ter advogados incompetentes que mandavam abraços para o Thomaz Turbando.
Lula não estava preso ainda.
Não havia nenhuma música boa nas paradas de rádio do país.

O Metallica havia lançado seu décimo álbum de estúdio. Disco muito bom, mas não tanto quando o novo do Megadeth.
Donald Trump foi eleito presidente dos EUA. Um monte de artista americano reclamou, fez protesto, ficou de mimimi, mas não compareceu para votar.
No Brasil a eleição do Trump também encontrou um monte de opositores, gente que com certeza, no dia seguinte, encontrou o pãozinho pelo mesmo valor na padaria. Aparentemente, Trump não mandou subir preço...

Massa vai encontrar um cenário muito diferente.
Vai ser difícil saber se ele se adaptará a todas estas mudanças.

13 de jan de 2017

Hot 5 do Groo: As escondidinhas

Para quem tinha o habito de sentar e escutar discos (ou cd´s) um dos grandes baratos era se apaixonar por canções diferentes dos hits. Encontrar no meio daquelas onze, doze músicas uma que se identificasse de uma forma diferente. Ou apenas gostar da canção de uma forma diferente de outras pessoas, que afinal, encontrariam as prediletas delas também.
Este hot5 trata destas canções. Aquelas que não foram single, hit e nem tocaram insistentemente no rádio, mas eram boas o suficiente para isto.
Canções escondidinhas.

O Papa é Pop, disco dos Engenheiros do Hawaii de 1990 foi um arregaço de vendas.
O cover dos Incríveis (“Era um garoto que como eu...”) tocou no rádio até encher o saco.
Assim como “Pra Ser Sincero” e a faixa título.
Mas lá no meio, ou fechando o lado 1 para quem ouvia vinil, tinha uma canção fantástica que ficou meio que relegada: “Olhos Iguais aos Seus”.
Tem quem torça o nariz para as letras de Gessinger, mas de boa? Dane-se...
O que faz as pessoas parecerem tão iguais?
Por que razão essa igualdade se desfaz?
Qual é a razão desse disfarce no olhar?
O que faz as pessoas parecerem tão iguais?
O que fazem as pessoas para serem tão iguais?


Em 1991 o REM ganharia o mundo com seu aclamado álbum Out of Time.
Não é para menos... “Losing My Religion” tocou até em igrejas.
E ainda tinha “Shine Happy People”, “Radio Song” para ajudar a dominar as rádios.
Mas alí, escondidinha, estava uma canção pop perfeita. Fofinha e muito assobiável: “Near Wild Heaven” ainda tem a covardia de usar uns “pá pá pá pá” grudentos.

O Metallica nunca foi de lançar hits, seus fãs é que fazem as músicas serem clássicos e cá entre nós: tocar nas rádios nunca foi muito a praia da banda.
Em 1984 lançou seu Ride the Lighting, uma tijolada que ajudou a pavimentar o caminho para que fossem a maior banda de thash metal da história e lá havia uma faixa que não tem a agressividade característica dos caras, mas que é sensacional com suas quebradas vocais: “Escape” finge que é para o fã dar uma respirada, mas engana já que é uma porrada. Mais contida, mas uma porrada.

A Legião Urbana tinha um Q de Midas: transformava em hit quase tudo que colocava em seus discos.
O disco As Quatro Estações (1989), por exemplo, chegou a colocar todas as canções nas paradas das rádios. Óbvio que nem todas chegaram ao primeiro lugar, mas todas tocaram no rádio. TODAS.
Era de se esperar que o próximo disco não tivesse esta performance.
E não teve.... Por problemas com a economia do país (era a época em que o Collor pegou a grana da poupança de todo mundo) o disco seguinte teve vendas menores (não muito) e por ter músicas mais longas tocou menos no rádio. Mas ainda assim V (1991) mandou “Teatro do Vampiros”, “Sereníssima”, “Vento no Litoral”, “O Mundo Anda Tao Complicado” e a pesadíssima “A Montanha Mágica” para as cabeças das paradas.
Mas fechando o disco tem uma pérola menor, mas não menos valiosa: “L´age Dor”.
Com sua pegada bluseira, agitada e sua letra confessional fez muito fã voltar a agulha para o começo da canção e ouvir de novo.
Contra minha própria vontade
Sou teimoso, sincero
E insisto em ter vontade própria

O Creedence Clearwater Revival era o feudo de John Forgety.
O cara mandava e desmandava em arranjos, composições e ainda por cima cantava e tocava guitarra para caramba.
Sob seu domínio os discos e os hits se sucederam até 1972, quando melindrados com a atenção que o líder recebia, os outros integrantes resolveram que também queriam direitos e espaço igual na banda.
Cansado de brigar, John deu carta branca e o que se ouviu no disco Mardi Grass, de 1972 só não foi constrangedor porque até o pior disco do CCR é bom.
Os fãs abominam o disco e realmente é um dos que menos venderam e menos renderam músicas para o rádio.
Também foi o último de inéditas dos caras. Depois, John Fogerty sairia da banda para nunca mais voltar.
Mas nem tudo é ruim, neste disco ainda é possível ouvir o bom e velho CCR em “Someday Never Comes”, que não por acaso, é de autoria do John.

12 de jan de 2017

F1: Palcos que fazem falta e palcos que nem precisavam ter existido

Das pistas que se foram do calendário, algumas realmente deixaram saudades e outras só aquele sentimento de que seria bom se nunca tivessem sequer existido.
Não é por saudosismo, mas uma que gostaria de ver de volta era o antigo traçado de Hockenheim.
Com suas imensas retas cortando a Floresta Negra é o que se pode chamar de verdadeiro templo dos motores.

Uma das cenas mais divertidas da F1 se deu por lá quando Nelson Piquet tentou dar uns sopapos em Eliseo Salazar após o chileno manetão tirá-lo da corrida de 1982.
Depois ainda o impediu de entrar na Kombi que os levariam de volta aos boxes.
Soube-se depois que o motor de Piquet não aguentaria chegar ao fim da prova, mas até aí, o capacete de Salazar já tinha sentido o peso das luvas de guiar do tricampeão.

Outra pista que gostava muito e foi retirada (e também mutilada como Hockenheim) era Imola.
Após os acontecimentos de maio de 1994, decidiu-se que o traçado era inseguro.

Talvez até fosse mesmo, mas as fatalidades com Ratzemberger e Senna se deram muito mais por problemas em seus carros do que propriamente pela pista.
Se tivesse uma área de escape maior e etc... Mas não tinha.
Perder a curva Tamburello foi um grande golpe no traçado.
Ele está lá, mas assim como Hockenheim, também é meio abobalhado com suas novas chicanes e tudo o mais.

Dois mais recentes, o circuito da Turquia é um dos que deixou saudades.

Talvez o melhor trabalho do mago do paint brush Herman Tilke, o traçado seletivo agradava bastante.
Retas velozes, curvas de alta e baixa, subidas e descidas e o mais bacana: a curva oito.

Dos que foram tarde o que vem à cabeça com mais força é aquele arremedo de Mônaco que tentaram fazer na Espanha.
Não que haja alguma pista boa na terra do Alonso, mas Valência era a mais horrível das horríveis.
Kyalami é outra.
Um traçado chato e um entorno horroroso.
Coreia, Índia também já foram tarde.

Deixe aí seus circuitos preferidos e os mais detestáveis dos que estão fora do calendário.