22 de ago de 2016

F1 2016 - Volta das férias: É Spa, moleque!

Quem gosta de automobilismo, gosta de Spa. Não há como dissociar.
A pista é um espetáculo, sempre foi. E mesmo agora em que com o passar dos anos, por necessidades nem sempre inerentes ao automobilismo ou a competição a pista foi sendo –pontualmente – modificada, nem assim conseguiram tirar a majestade desta seqüência de subidas, decidas, curvas para os dois lados, freadas fortes e muito flat-out no acelerador.

Começa-se pela La Source.
Travadissíma e que faz com que a largada seja muito, mas muito mais tensa do que normalmente é. Com chuva então é quase um desafio de Titãs.
Não é raro que os pilotos usem – sem vergonha alguma – a área de escape desta curva.
Logo desembocam em uma reta em descida que precede um mito das curvas.
Eau Rouge não é apenas uma curva, é uma entidade.
Vencer a Eau Rouge com o pé em baixo é como chegar ao topo do Everst.
Berger disse que: “-Enquanto se desce a pequena reta, a cabeça diz que não é possível contorná-la de pé embaixo. Mas o coração diz que sim e grita por isto como se fosse vital!”.
Nunca estive lá, claro, mas não duvido desta descrição.
A descarga de adrenalina no cérebro deve ser tão forte que apaga qualquer tentativa de raciocínio lógico em prol de uma “segurança” que pode custar preciosos décimos de segundo.
Em resumo: Eau Rouge é para homens!
Ricardo Zonta que o diga...

A reta Kemmel é um trecho muito rápido e bonito, como todo o circuito é bonito, mas é onde se vê que o circuito é também uma bem urdida mistura de velocidade e inteligência na preparação do carro.
E foi nesta reta que Mika Hakkinen fez de bobo o maior de todos, Schumacher, ao ultrapassá-lo usando como pivô Ricardo Zonta.
Schumacher nunca imaginaria uma manobra daquelas e o brasileiro menos ainda. Uma das manobras mais bonitas da história deste esporte.

Diferente de Monza, onde se pede um bólido quase sem asas para aproveitar as retas, Spa pede um refinamento aerodinâmico que não impeça o carro de ser indescritivelmente rápido nas retas, mas também nas curvas.
E é no fim da Kemmel que vem a primeira prova disto: a sequência Les Combes - que vem com uma freada tão forte que os estômagos mais sensíveis jogariam para fora o almoço de dois dias atrás -, a Rivage, Malmedy, Pouhon, Fagnes e Paul Frere são em descida, já dentro da histórica floresta de Ardennes, onde na Segunda Grande Guerra travou-se muitas batalhas sangrentas.
Mas a batalha aqui é manter-se vivo e rápido o suficiente para ganhar tempo e força para encarar a subida que desemboca em outra lenda do automobilismo: a Blanchmont..
De pé empurrando o pedal do acelerador até tocar o assoalho do carro, a curva é diabolicamente rápida e muito traiçoeira.
Um milésimo de distração e se é apresentado à barreira de pneus que tenta fazer a segurança do local.

A nova seqüência denominada de Bus Stop nada tem com a original. Na verdade é uma chicane das mais comuns, diferentemente do que era alguns anos atrás quando realmente se parecia com uma parada de ônibus.
O enquadramento da TV naquela época mostrava a dificuldade de fazer a chicane.
O carro vinha totalmente acelerado desde a saída da Blanchmont, freava muito forte e guinava para a direita, uma pequena reta e outro golpe no volante para a esquerda e tome aceleração...
Ayrton Senna fechou sua volta rápida em 1991 com fantásticos 1:47:08, na pole.
E some-se a tudo isto a sempre presente possibilidade de chuva, que se não no traçado todo, ao menos em algum ponto da pista. O que é ainda mais complicado.

E ainda há quem diga que o circuito original era ainda melhor! Para os que duvidam, fica aqui a sugestão: veja a sequência da corrida belga do filme Grand Prix de John Frankenheimer.
A corrida que ele retrata lá á de 1966, com o circuito original.

19 de ago de 2016

Groo recomenda - Golpe de Estado: hard/heavy brasileiro de primeira qualidade

No fim dos anos 80 o rock nacional (BRock) ainda vivia sua fase de maior sucesso comercial e havia para todos os gostos: desde o levezinho pop do Kid Abelha até a pauleira que conquistaria o mundo impondo respeito ao heavy brazuca do Sepultura.
No meio destes haviam os gigantes da vez (Legião, Titãs, Paralamas, Engenheiros e Barão) e um grupo que chegou a fazer um certo barulho (no bom sentido) mas que não emplacou como os colegas mais radiofônicos: Golpe de Estado.

A formação clássica era composta por Hélcio Aguirra na guitarra, Paulo Zinner na bateria, Catalau na voz e Nelson Brito no baixo e apesar da banda ter continuado após a morte de Hélcio Aguirra (21.01.2014) e as saídas de Catalau e Zinner é o line up que importa aqui.
Hélcio era e provavelmente ainda é, o melhor guitarrista de hard rock/heavy metal do país.
Inventivo, criava riffs e solos na mesma linha de intensidade de um Tony Iommi, por exemplo. Aliava peso, melodia e velocidade como poucos.
Zinner chegou a ser cogitado para integrar o Whitesnake quando Cozy Powell deixou o grupo logo após o Rock In Rio de 1985.
Segundo o baterista, só não ficaram para fazer os testes porque estavam com os passaportes vencidos em Londres, foram presos e mandados de volta para casa. Virtuose, tocou com Rita Lee logo após sair do Golpe.
Catalau deixou o grupo em meio a problemas com drogas, se converteu e hoje é pastor de uma denominação evangélica. Não havia voz de hard rock no país que se comparasse.
Brito seguiu com o grupo.

Depois de dois lançamentos pelo selo independente Baratos Afins - Golpe de Estado (1986) e Forçando a Barra (1988), que trazia o proto hit “Noite de Balada” - o grupo assina com uma gravadora maior, a Eldorado que investe melhor na produção do próximo disco, o clássico Nem polícia, nem bandido. (1989)
O disco traz letras sobre drogas (“Velha Mistura”, “Janis”), amor sem ser piegas (“Paixão”) e política (“Nem Polícia, Nem Bandido”)
Mas é com o Quarto Golpe (1991), que a banda atinge seu maior sucesso de público e vendas.
Puxado por “Real Valor” a banda chega até a se apresentar no (então relevante) Programa do Jô, na rede Globo.
É o disco da banda melhor produzido com peso poucas vezes ouvido naquela geração de roqueiros dos anos 80/90.
O disco também tem a faixa “Caso Sério” que tocou muito nas rádios e de certa maneira foi a canção pioneira em trazer ao rock brasileiro preocupações ecológicas.
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Ainda lançariam pela Eldorado o disco Zumbi (1994) que apesar de boas canções e algumas covers (“My Generation” do Who e “Hino de Duran” de Chico Buarque”) já não emplaca.
Esta fase termina com o disco Dez Anos Ao Vivo (1996), mostrando exatamente o que era a banda em cima do palco: poderosa.
Quando aquele seu amigo teleguiado e com a cabeça feitinha disser: não vai ter golpe, pode gritar na orelha dele que vai ter Golpe sim! E se reclamar, vai ter "Nem Polícia, Nem Bandido" rolando no talo e no repeat.
Aproveite e grite também a letra de para ver se ele saca o lance dos dois distintivos na mesma blusa...

17 de ago de 2016

Antes era pior... 16 - Patrocínio danoso

Esta sessão do blog tem o objetivo de desmistificar aquela frase “antigamente era melhor” no mundo da F1.
Claro, podia ter muita coisa boa (de verdade) mas nem tudo eram flores.
Aqui já vimos piloto testando capacete, os primórdios das câmeras onboard, invencionices aerodinâmicas diversas etc.
Também vimos publicidade em carros não muito convencionais como Arturo Merzario correndo com patrocínio de uma funerária estampada no carro.
Mas nenhuma publicidade ou patrocínio foi tão danoso para o carro e piloto que a feita pela Arrows em seu modelo A4 (parece medida de papel) equipado com motor Ford e pilotada pelo italiano Mauro Baldi no campeonato de 1982.
Tratava-se de uma empresa que produzia azulejos e que para deixar tudo dentro do contexto “azulejou” o carro da Arrows.
Deve ter ficado um pouco pesado, dependendo do rejunte que usaram, claro...
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