24 de mai de 2017

Natal em Maio para o fã de corrida

No fim de semana duas das três corridas mais tradicionais do automobilismo mundial serão disputadas. A outra são as 24 horas de Le Mans, mas esta não é bem uma corrida já que o maior mérito dos carros nem é ser o mais rápido, mas durar mais tempo na pista. Pode-se ganhar a corrida sem sequer ter feito uma das voltas mais rápidas... Mas isto é para outro dia...
Aqui o assunto são as 500 milhas de Indianápolis e o Grande Prêmio de Mônaco.

Uma é velocidade em estado bruto.
Quatro curvas para a esquerda, duas imensas retas e – infelizmente – ultimamente um monte de manetas, velhos ou rejeitos de outras categorias.
A ação de marketing (não se engane achando que não é, por mais bacana que seja) de trazer Fernando Alonso para a disputa trouxe uma nova luz e um interesse que fora dos meios automobilísticos mais apaixonados, já ia se esvanecendo.
Prova maior foi a vitória de um piloto horroroso como Alexander Rossi na edição de 2016.
Para este ano, enquanto o bicampeão de F1 ainda estiver na disputa, o interesse será enorme, mas arrisco dizer que assim que ele sair da prova (se sair, minha torcida é até para que ganhe!) os televisores fora dos EUA vão ser desligados ou a atenção à prova vai ser substituída pela rodada do brasileiro, um filme na Netflix ou a limpeza da caixa de areia dos gatos...
Não que a prova seja ruim, mas seus períodos de emoção são concentrados nas cinco primeiras voltas e nas cinco finais.
O meio é esfarrapado e enfadonho e depende de um acidente ou uma manetada para gerar algum interesse maior.

A outra é tensão.
Mesmo sem disputas diretas por posição e com a dificuldade quase intransponível das ultrapassagens a coisa é tensa. Muito tensa.
Os carros passam a duzentos por hora a milímetros dos muros e guardrails da cidade.
Em geral, não se perdoa o menor dos erros e até gente tida como “dos melhores” já sentiram na pele o que é ficar desatento por um milésimo que for por lá.
É difícil não manter a atenção na corrida, por isto é a minha preferida.

Na dúvida, assista as duas já que os horários não se atropelam.
A diversão é garantida.

22 de mai de 2017

F1 e EUA: A aproximação

Quem acompanha a F1 já deve ter notado o esforço da nova proprietária da categoria em se aproximar dos Estados Unidos.
Ações como as conversas para um futuro GP em Nova York, a aferição da velocidade dos carros também em milhas por hora (a partir do GP da Espanha começou esta novidade) e a maior de todas as atitudes: Alonso nas 500 milhas de Indianápolis podem ser os primeiros passos e acertados passos.

Alonso chegou a Indianápolis para testar seu bólido para as 500 milhas.
Testou e gostou.
Andou bem sempre que esteve na pista e conseguiu entrar no fast nine com chances reais de ser o pole position.
Até o momento em que este texto estava sendo escrito a disputa pela pole não havia começado, porém, tanto faz a posição final de Alonso na classificação.
O fato de estar entre os nove primeiros em seu primeiro contato com a categoria, e mais, com a mítica pista oval (na verdade um retângulo) é algo a se admirar.

Mas o mais interessante é ver que todo mundo está ganhando com este crossover entre as duas categorias de fórmula.
O público já está ganhando a chance de verificar como se dá um piloto da F1 na Indy.
Um piloto de ponta, diga-se...
A vitória de Alexander Rossi em 2016 não conta. Rossi nunca foi um piloto de F1 apesar de ter corrido lá. Não passou de um figurante sem graça e convenhamos: foi uma sorte que ele não terá nunca mais na vida.

Alonso já está ganhando também.
Mesmo que não vença a prova, o que é bem provável que aconteça o espanhol mostrou que não há diferenças muito grandes quando se tem talento para a velocidade.
E quem pode duvidar do talento de Alonso?
Sua imagem está melhor que nunca, tanto dentro da F1 quando para o restante do mundo do automobilismo.

Ganha a própria F1 que vai expondo sua marca por meio de seu melhor piloto (ainda que em tempos de vacas magras por conta de seu time) à um mercado que a bem da verdade está obrando e andando para ela. E se Alonso vier a vencer então...

Ganha a Indy que anda relegada a um plano regional apesar de ter pilotos de várias partes do mundo e que nem na terra natal é a maior categoria. Perde feio para a Nascar com seus taxistas malucos e sua multidão de expectadores onde quer que corra a cada fim de semana. E são muitas corridas por ano, provavelmente a categoria com maior número de provas do automobilismo.

Ainda para os fãs das duas categorias seria maravilhoso se esta aproximação trouxesse também a chance de poder ver os carros da Indy andando no (horrível crtl C crtl V) Circuito das Américas em Austin ou os F1 rasgando a pista em Road América, Watkins Glen ou qualquer outra pista tradicional dos EUA.
Para efeito de comparação seria sensacional.

E talvez isto não esteja tão longe de acontecer assim...
Quem viver verá.
E eu espero ver.

19 de mai de 2017

Feel on black day

Nunca gostei do termo “grunge”.
Acho vazio, acho mercadológico demais.... Acho uma merda.
Mas o rock feito em Seattle durante os anos 90 que veio a ser batizado com este termo é genial.
Guitarras esporrentas, baterias barulhentas, melodia... E vozes. Muitas e ótimas vozes.
Isto sem contar que substituiu nas rádios coisas que odiava!
Madona, Jequison e uma pá de bandas com muito cabelo, muita maquiagem, muita roupa grudadinha e uma música magrinha.... Quase tísica.  Tudo isto foi sendo trocado por Pearl Jam, Nirvana, Mudhoney, Stone Temple Pilot, Alice in Chains e principalmente – ao menos para mim – pelo Soundgarden.

Tomei conhecimento deles ouvindo rádio, pasmem.... Ainda se ouvia rádio!
Um programa no fim da tarde em uma das rádios rock, mais especificamente a Brasil 2000 FM em que Tatola e Roberto Maia sempre apresentavam coisas novas.
Eu estava trabalhando, mas deu para ouvir quando Maia disse que das bandas novas que estavam surgindo, o Soudgarden era o que mais se parecia com o Black Sabbath!
Eu sempre amei Sabbath e aquilo aguçou minha curiosidade a ponto de pedir que as pessoas (clientes inclusos) fizessem silêncio quando a faixa começou a ser tocada no rádio. Era “Outshined” e eu fui conquistado ali mesmo.
Era mesmo como o Black Sabbath, mas com um Ozzy que sabia cantar! Eu pensei.

Assim que consegui encontrar em uma loja, comprei o disco e ouvi o disco que se chamava Badmotorfinger tantas vezes que decorei as letras quando ainda sequer falava inglês macarrônico.
Sentado em minha bateria, imitava as batidas e levadas todas, enlouquecendo minha mãe. Minha bateria ficava no quarto que não tinha porta, logo, assistir TV comigo em casa era quase impossível...
“Rust Cage”, “Somewhere”, “With My Good Eye Close”, “Jesus Christ Pose”, “Drawing Flies” ...  Enfim, todas.

A voz de Chris Cornell era perfeita… Afinada, potente, emocionante.
Seus gritos enchiam os ouvidos, mas quando cantava mais tranquilo era uma coisa estupenda!
Em “Slavers and Bulldozers” ele gritava como se não houvesse outra faixa a ser gravada!
Depois, nunca mais perdi um lançamento dos caras.... Nem o relançamento do Badmotorfinger com o plus de um EP eu deixei passar e nele dava para ouvir a banda tocando “Into the Void”, do Sabbath e arrisco dizer, quase melhor que o original.

Quando li que Chris Cornell tinha partido, não quis acreditar. Fiquei mesmo meio fora de sintonia.
Ao chegar em casa coloquei o vinil do Temple of the Dog, o grupo tributo que era metade do Soundgarden, metade do que viria a ser o Pearl Jam, no toca discos e me sentei na sala.
Sem uma bateria para espancar peguei minhas baquetas e acompanhei batendo o pé para marcar o bumbo e batendo no braço do sofá como se fossem minha caixa e meus tambores.
Escolhi este disco e o não o meu preferido do Soundgarden para poder “tocar” minha “bateria” sem fazer força, para que o som das pancadas não encobrisse a beleza da voz de Cornell em “Hunger Striker”.
Tão bela que ofusca até Eddie Vedder, que também canta na canção.
Que se danem os rótulos, o rock vindo de Seattle perdeu sua melhor voz.
E eu um dos meus ídolos do microfone.


18 de mai de 2017

F1 2017: Algumas manchetes e o que elas realmente querem dizer

Bottas disse que teve de segurar Vettel para favorecer Hamilton.
Ou Bottas não sabe direito como funciona ser segundo piloto ou acha que todo fã de F1 é do tipo “no tempo do Senna era melhor”.
Óbvio que ele teve de segurar Vettel.
Também óbvio que tem o mínimo entendimento do esporte sabe que ele teve de fazer isto.
E mais óbvio ainda foi o passão que ele tomou de Vettel.
Afinal, era um tetracampeão mundial contra um gordinho que tapa buraco em equipe grande.

Felipe Massa lamentou a perda da chance de obter um quarto lugar e colocou a culpa em Fernando Alonso.
Claro... Alonso não estava ali tentando nada de melhor em um ano miserável com um carro miserável que está equipado com um motor ainda mais miserável.
E que ano fantástico está tendo Felipe Massa (sqn).
“-A culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. ”
Simpson, Massa.

Pastor Maldonado, o Gilles Villeneuve venezuelano, esteve no paddock em Barcelona.
Estava matando saudades do lugar onde foi herói cinco anos antes.
Não.... Vencer a prova naquele ano não foi heroísmo.... Aliás, foi bem suspeito, mas salvar o primo do incêndio ainda mais suspeito na garagem da Williams é que foi heroísmo.
Disse por lá que não cogita uma volta a F1.

A categoria agradece e torce sinceramente para que outro crash master –  um polonês aí... – dê uma declaração com o mesmo teor nos próximos dias.

A Force Índia declarou recentemente que está cada vez mais perto da Red Bull, mas disse também que a Williams ainda é melhor.
Se olhar o resultado puro e simples da corrida espanhola, sim... A Force Índia está bem perto da Red Bull.
E sim, o povo do carro rosa também é muito modesto.
Ou gozador...

Alonso pode vencer a Indy 500?
Sim, claro...
Se até Alexander Rossi (quem?) venceu, porque não um dos melhores pilotos de todos os tempos?
Ele vai vencer?
Difícil saber... A quantidade de coisas que podem acontecer entre a largada e a bandeirada quadriculada é muito grande.
Incluindo um grande e redondo nada...